Colecionando Contos
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Tumblr
Oi gente, eu mudei o meu blog e agora eu estou lá no tumblr. Vocês podem continuar lendo meus textos no http://manarias.tumblr.com/ espero vocês lá, beijos.
domingo, 30 de agosto de 2015
O amanhã de ontem é hoje
Cá estou eu, em pleno domingo de manhã, tentando analisar
a vida. Isso mesmo que você leu, euzinha, uma adolescente de dezesseis anos,
que não sabe nem o que comerá no almoço, tentando dizer algo sobre a vida. Pff.
E o que eu sei sobre a vida?
A filosofia estuda o sentido da vida, mesmo que alguns
filósofos digam que ela não tem sentido, e alguns cientistas afirmam que o
sentido da vida é se reproduzir. Acredito que a vida, no fundo, não faz sentido
para ninguém. Passamos nossos setenta e quatro anos (expectativa de vida de um
brasileiro) tentando entender quem somos e para onde vamos para, só no final
percebermos que nada disso fará diferença. Viemos do pó e ao pó voltaremos.
Simples e um pouco aterrorizante. Mas então, o que eu estou fazendo aqui, me
matando de estudar para uma prova de física? É eu também não sei.
Atualmente, tem pouco mais de sete bilhões e trezentos
milhões de habitantes no mundo. Cada um com sua vida, seus problemas e seus
sonhos para realizar. Todas essas pessoas tem um jeito de levar a própria vida
e de julgar o que é certo e o que é errado. Alguns investem forte em sua
formação para, no futuro, terem uma carreira de sucesso. Outros preferem viver
cada dia de sua vida como se fosse o último, indo á festas, beijando todas as
pessoas que tiverem vontade e regando-se a álcool. E agora amiguinhos vocês me
perguntam: quem está certo? Chega mais perto, deixa eu te contar um segredo: na
vida real não existe o certo e o errado, existe o modo como cada um vive a sua
vida. Seja trancada dentro do quarto ouvindo heavy metal no último volume, seja
se apaixonando por pessoas e lugares, seja estudando igual louco para o
vestibular de filosofia. Ninguém está errado, as pessoas só tem que aprender a
olhar para dentro de si antes de ficar apontando o dedo para a forma como cada
um vive a sua vida.
E aí, caímos naquela velha história que virou música do
Roberto Carlos: é preciso saber viver? Sim, é preciso, mas nada que uns tombos
e alguns ralados no joelho não nos ajudem. Estamos todos nos adaptando. Não
temos que ter medo e nem ligar para a opinião alheia. Passe aquele batom roxo
que você sempre quis usar, mas tinha receio do que seus amigos falariam. Vista aquela
camisa rosa que te engorda um pouco, mas que você ama. Use aquele delineador
azul que você comprou com a sua mãe naquela loja moderninha no centro da
cidade. Depois que você fizer tudo àquilo que sempre teve vontade, mas que não
fez por conta da opinião alheia, vai se sentir uma nova pessoa. Como se
estivesse presa esse tempo todo e, só agora conheceu a verdadeira vida real.
Experiência própria
Voltando á primeira pergunta do texto, eu não sei nada
sobre a vida. Assim como as pessoas dizem, nossa única certeza é a morte. Mas
eu sei o que eu quero para a minha vida. Sei que eu quero inspirar e emocionar
as pessoas. Sei que quero deixar um pouco de mim em cada pessoa que lê o que eu
escrevo ou que convive comigo. Sei que quero conhecer pessoas, lugares e
culturas diferentes.
Não vou dizer como você deve levar a sua vida, mas não se
esqueça que, todo dia morremos um pouco. Sempre comparei a vida como uma viagem
de avião. E nós somos os passageiros. Uns preferem assistir filmes durante toda
a viagem para fugir um pouco da realidade. Outros preferem dormir e só acordar
quando chegarem no destino final. E tem ainda, aqueles que aproveitam cada
minuto, conversam com o passageiro ao lado, ouvem músicas e veem filmes. A vida
não te rotula. Se você quiser ir por outro caminho, não tem problema, aguente as
consequências, mas não deixe elas te impedirem de viver. E se aquele caminho
também não for o que eu queira? Mude de novo. Mude quantas vezes você quiser.
Dica para você, que vive o futuro: um presente chegou, e ele começa em três,
dois, um JÁ!
domingo, 23 de agosto de 2015
Carta para você
Dia desses, eu estava trocando os canais da TV, tentando
achar algo para me tirar do tédio, quando começou a passar aquela série que
você ama. Ou amava.
No mesmo instante, me lembrei de você e das maratonas de séries que
fazíamos. Nunca gostei de The Vampire Diaries, mas amava ficar olhando para você
enquanto assistia. Na verdade, eu amava tudo em você. Ainda amo. Sempre soube
que você nunca poderia ser minha. Você tinha asas e paixão pela vida. Você
dizia que me amava, mas eu te amava em dobro. E um dia, você foi embora. Não
disse por que nem pra que. Não deu nem tempo para eu me despedir. Quando
acordei você já estava longe. Eu consegui ver o seu corpo, mas você não estava
mais lá. Um caminhoneiro bêbado e inconsequente já havia te tirado de mim.
Os primeiros dias foram os piores. Nunca tinha sentido
tanta dor na minha vida. Eu sentia como se tivessem aberto o meu peito e
arrancado o meu coração sem anestesia. O Travis passava o dia inteiro na frente
da porta principal esperando você chegar. E quando eu o chamava, ele apenas me
olhava e balançava o rabo sem sair do lugar.
Um ano já se passou e o meu coração ainda sangra. Acho
que nunca vai parar. As pessoas diziam que aos poucos eu me acostumaria com a
dor, mas agora, eu também tenho que conviver com a saudade. Sinto falta do seu
cheiro, das gordurinhas da sua barriga que você sempre odiou, dos seus pequenos
olhos que pareciam enxergar a minha alma, daquela calça de moletom que você
vestia apenas nos dias chuvosos, do seu jeito descontraído de não se importar
com a opinião das pessoas e fazer o que bem entender, dos bilhetes que você
deixava para mim sempre que saia, do brilho nos seus olhos sempre que conhecia
um lugar novo, dos textos que você escrevia que sempre me faziam chorar, das
comédias românticas que você assistia todo domingo com um balde de pipoca, da
forma escandalosa como você ria, do modo como você apertava o meu braço quando
assistia um filme de terror, da sua mão pequena e macia que eu fazia questão de
deixar perto da minha, do jeito cuidadoso como você cuidava do seu cacto
Robertchay. Ah, ele continua aqui viu? Eu o coloco na janela do nosso quarto
todos os dias na esperança de que você possa ver.
As coisas aqui continuam na mesma. A Dilma ainda é
presidente e aquelas manifestações, que você amava participar, estão cada vez
mais frequentes, eu estou no ultimo semestre da faculdade e estou trabalhando
em um escritório incrível, ontem o Pedro e a Luiza me levaram em uma boate na
Augusta, mesmo eu não concordando, e dormiram aqui em casa, meus pais vêm
jantar todas as quartas, e eu continuo fotografando pessoas, objetos e lugares.
Não sei por que escrevi essa carta se você nunca vai ler.
É que as vezes bate uma saudade sabe? Eu sinto que, como diz aquela autora que
você amava, algumas coisas não acabam quando terminam. E a nossa história ainda
não acabou. Ah, mais uma coisa, eu te amo muito.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Meu pior pesadelo
Sinalizei para o barman trazer mais uma dose dessa bebida
rosa que eu estava tomando desde que cheguei. O que aconteceu comigo? Lembro
que odiava lugares cheios onde as pessoas se beijavam sem nunca terem trocado
uma palavra se quer, para, no dia seguinte, se orgulhar dos tantos
desconhecidos que beijou e de quem nem se lembra dos nomes. Sempre gostei da
conquista. Do jeito surpreso como você me olhou quando eu disse que gostava de
arctic monkeys. Do frio na barriga que dava toda vez que eu te via caminhar em
minha direção com seu sorriso irônico estampada na cara.
Joguei a cabeça para trás e senti o liquido rosa
queimando a minha garganta. A musica estava alta. Nem prestei atenção na letra.
Comecei a dançar com um cara alto e musculoso. Era bonito, mas não era você.
Ele pegou na minha bunda. Eu não liguei. E lá estava eu com a língua na
garganta dele. Ele não provocava os arrepios na minha pele que você provocava,
muito menos fazia com que eu me sentisse especial.
Uma imagem sua surgiu na minha mente e eu me perguntei
para onde tinha ido aquela garota corajosa e independente por quem você dizia
estar apaixonado. Aquela garota que não gostava da normalidade, que cortava o
cabelo de um jeito diferente, que usava roupas que a diferenciavam da multidão
e que lia mais livros em um mês do que todos os seus amigos leriam em um ano.
Essa garota não estava em casa. Talvez ela não voltasse mais, e essa foi a pior
parte de te perder. Eu não só te perdi. Eu me perdi nesse labirinto confuso de
sentimentos. E no meu lugar, uma nova Mariana assumiu o controle. Uma Mariana
rasa, previsível, com medo do desconhecido e extremamente insegura.
O pior é que eu sei que em parte a culpa é minha. Eu fui
ingênua. Eu te entreguei todos os meus sonhos e o meu coração assim, de
bandeja. Achei que você iria curar os antigos machucados, mas não. Cada dia
você quebrava uma parte diferente do meu coração. Algumas vezes, você juntava
os cacos e colava só para poder quebrar novamente. Era doentio. Mas mais doente
era eu, que permitia você fazer isso. Até que um dia, você se cansou. Era
tedioso demais ficar brincando com um coração remendado, né? Aí você
simplesmente o jogou fora, tornou os meus sonhos em pesadelos, e foi atrás de
novos corações ingênuos. E eu me tornei meu pior pesadelo. Um pesadelo com
cabeça, olhos, nariz e boca. Com dois pulmões e um estômago, mas sem coração.
Um pesadelo que, agora, saia todas as noites em busca de alguém que me faça
sentir algo que me motive a continuar vivendo.
Cheguei em casa e me deparei com uma foto nossa no
carrossel daquele parque de diversões. Foi a nossa primeira viagem juntos e a
nossa primeira vez. Pensei que já tínhamos superado todos os comentários
maldosos da minha família e dos meus amigos. “Ele não é o bastante para você,
Mari” Agora, tudo o que eu queria era
queimar essa foto e todas as suas lembranças que eu ainda cultivava, até virarem
pó. Para variar, eu comecei a chorar. Esperava que um dia, através das
lagrimas, eu te lavasse da minha memoria.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Poesia para você
Vesti meu melhor vestido
e me sentei sozinha
à mesa da cozinha
para vomitar tudo
que um dia tinha escondido
O cigarro aceso
me acompanhava na escrita
o cheiro da nicotina
penetrando o ar
Fumava versos
e escrevia poesias
simples e sem graça
mas que um dia
sonhava em te entregar.
sábado, 25 de julho de 2015
Mar e o mar
Era uma vez Marcela
Que encantava todos com seu canto
Ela só queria pintar seu mundo de aquarela
Porque estava cansada do preto e branco
Marcela amava o mar
Gostava da calmaria e da agitação
Para ela, isso era amar
Só não gostava da decepção
Tinha alma sonhadora
Não ligava para o que as pessoas pensavam
Não tinha medo de ser amadora
As pessoas apenas julgavam
Queria uma vida colorida
Gostava de se apaixonar
Não se dava com pessoa caída
Que a rotina era reclamar
Quando precisava
Fugia para o mar
Navegava, navegava, navegava
Para sua paz encontrar
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Todas as vezes em que você foi embora
Tudo estava acontecendo
naturalmente. Caixa de suco de pêssego, ok. Bolacha recheada, ok. Miojo, ok.
Pipoca de micro-ondas, ok. Brigadeiro enlatado, ok. Pera aí, eu nunca gostei de
brigadeiro enlatado, só comprava porque você dizia que tinha um gosto de
caramelo no final. Nunca encontrei esse gosto. Mas por que essa lembrança
agora? Justo quando as minhas feridas abertas do coração se cicatrizaram, o meu
cérebro me prega uma palhaçada dessas arrancando todas as minhas casquinhas e
deixando minhas feridas expostas novamente?
Estava devolvendo a lata
de brigadeiro quando senti um cheiro familiar. Não podia ser. Quando me virei
para olhar, lá estava você, entrando no corredor de doces com uma mão no
carrinho de compras e a outra na cintura de uma loira alta. Merda. Merda.
Merda. Me virei rapidamente para fingir
que não te vi.
- Lia?
Você ainda me reconhece?
Porque olha, desde que você foi embora, todas as vezes que me olho no espelho
eu não me reconheço. Meu cabelo está sem brilho, minhas unhas não param de
quebrar, a esperança parou de iluminar e dar vida aos meus olhos e eu emagreci,
pelo menos, uns dez quilos. Aliás, eu queria dar um conselho para essas pessoas
que fazem dietas malucas: entregue seu coração, como prato principal, para o
primeiro idiota que aparecer.
- Oi Leo – tive vontade de
te socar e mandar você se mudar para o outro lado do mundo, mas você estava
ainda mais bonito do que eu me lembrava. Depois de um tempo, desviei meu olhar
de você para a loira ao seu lado. Meu Deus. Ela era modelo? Ou só aquelas
garotas de Tumblr que eu sempre reblogava?
- Ah essa é a Manu. Manu
essa é a Julia. Eu e a Manu estamos... hm.... é... nos conhecendo .
Percebi, no olhar que a
tal de Manu te lançou que vocês já estavam juntos há algum tempo. Tudo bem
sabe, não precisava mentir. Podia falar na minha cara que vocês estavam
namorando, se amando ou se comendo. Você nunca teve papas na língua e, na real,
aquela sua cara de pena estava me dando vontade de vomitar.
- Ah, ta. Eu tenho que ir
agora, meu namorado está me esperando. – namorado? – Tchau.
Eu sabia desde o começo
que nosso namoro não ia dar em nada. Mas eu sou teimosa, você sabe. Duas almas
perdidas em um mundo tão grande que se encontraram em uma festa de sertanejo
cafona. Destino? Pode até ser.
A verdade é que me
apaixonei por você. Quebrei meu coração varias vezes para ele se encaixar no
seu. Vai dar certo, é só uma fase. Extra, Extra, não era uma fase. Você foi
embora. Me largou chorando no sofá da sala e bateu a porta sem nem olhar para
trás. No lugar daquelas adoráveis borboletas que moravam no meu estomago e
daquela euforia que crescia em mim cada vez que eu te via, eu fui substituída
por vazio e dor. E tem horas que aperta sabe? Dá um nó no peito, uma trovoada
no estomago, uma chuva nos olhos e uma constelação de soluços. Esse é o meu
corpo demonstrando a falta que você me faz.
- Boa noite – disse o
caixa do mercado
- Boa noite, posso ir buscar
rapidinho uma coisa que eu esqueci? – ele apenas concordou.
Corri para o corredor de
doces e peguei uma lata de brigadeiro. Todas as feridas já estavam ali,
sangrando novamente mesmo. E eu sentia tanto a sua falta. Desde as vezes que
nós demos banho em todos os cachorros da minha vizinha, até as nossas
intermináveis brigas naquele barzinho que nossos amigos frequentavam. Minhas
amigas diziam que você não era o cara certo pra mim. Mas então quem era? Nós estamos
em pleno século XXI, ainda existe essa baboseira de “o cara certo para você”?
Quando eu estava saindo do
supermercado, dei de cara com você e a sua Tumblr girl se beijando
apaixonadamente. Hoje definitivamente não era o meu dia. Olhei para a cena e me
lembrei do modo como você me beijava, sem pressa. Senti uma lagrima escorrendo
e comecei a andar olhando fixamente para o meu carro. Olha pra frente, respira,
segura o choro. E se eu desse uma olhadinha rapidinho? Cérebro: não, coração:
sim. Olhei. E você me olhava de volta. Estava tão lindo parado ali, me olhando,
com as compras na mão. Por que você foi tão idiota? Nós podemos fingir que tudo
o que aconteceu foi só um sonho ruim. Só então, me dei conta de que a sua
namorada irritantemente perfeita tinha sumido. Ela era só uma miragem? Acenei.
Você acenou de volta, e deu aquele sorriso torto que mostrava sua covinha. A
loira voltou, agora dentro de um carro que valia três vezes o valor do meu
apartamento, e parou na sua frente. Você falou alguma coisa e ela foi embora.
Meu coração começou a bater mais rápido e meu cérebro não parava de me lembrar
do quanto vocês eram idiotas. Você correu na minha direção e me beijou
intensamente. Ah que saudade.
- Lia a gente não pode
ficar juntos. – pera aí, o que?
- Então, por que você me
beijou? – minha voz começou a falhar.
- Eu sinto a sua falta.
Muito. Mas eu não sou bom o suficiente para você – dizendo isso ele se virou e
foi embora, me deixando ali, com varias perguntas na cabeça.
O vazio começou a tomar
conta de mim, o meu coração se despedaçou e alguém jogou inseticida naquelas,
poucas, borboletas que voltaram a querer se hospedar no meu estomago. Adivinha
quem estava chorando por sua causa? Peguei minhas compras e entrei no carro.
Olhei para o banco do carona e dei boa noite à minha nova companheira desde que
você foi embora. A solidão.
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