Cá estou eu, em pleno domingo de manhã, tentando analisar
a vida. Isso mesmo que você leu, euzinha, uma adolescente de dezesseis anos,
que não sabe nem o que comerá no almoço, tentando dizer algo sobre a vida. Pff.
E o que eu sei sobre a vida?
A filosofia estuda o sentido da vida, mesmo que alguns
filósofos digam que ela não tem sentido, e alguns cientistas afirmam que o
sentido da vida é se reproduzir. Acredito que a vida, no fundo, não faz sentido
para ninguém. Passamos nossos setenta e quatro anos (expectativa de vida de um
brasileiro) tentando entender quem somos e para onde vamos para, só no final
percebermos que nada disso fará diferença. Viemos do pó e ao pó voltaremos.
Simples e um pouco aterrorizante. Mas então, o que eu estou fazendo aqui, me
matando de estudar para uma prova de física? É eu também não sei.
Atualmente, tem pouco mais de sete bilhões e trezentos
milhões de habitantes no mundo. Cada um com sua vida, seus problemas e seus
sonhos para realizar. Todas essas pessoas tem um jeito de levar a própria vida
e de julgar o que é certo e o que é errado. Alguns investem forte em sua
formação para, no futuro, terem uma carreira de sucesso. Outros preferem viver
cada dia de sua vida como se fosse o último, indo á festas, beijando todas as
pessoas que tiverem vontade e regando-se a álcool. E agora amiguinhos vocês me
perguntam: quem está certo? Chega mais perto, deixa eu te contar um segredo: na
vida real não existe o certo e o errado, existe o modo como cada um vive a sua
vida. Seja trancada dentro do quarto ouvindo heavy metal no último volume, seja
se apaixonando por pessoas e lugares, seja estudando igual louco para o
vestibular de filosofia. Ninguém está errado, as pessoas só tem que aprender a
olhar para dentro de si antes de ficar apontando o dedo para a forma como cada
um vive a sua vida.
E aí, caímos naquela velha história que virou música do
Roberto Carlos: é preciso saber viver? Sim, é preciso, mas nada que uns tombos
e alguns ralados no joelho não nos ajudem. Estamos todos nos adaptando. Não
temos que ter medo e nem ligar para a opinião alheia. Passe aquele batom roxo
que você sempre quis usar, mas tinha receio do que seus amigos falariam. Vista aquela
camisa rosa que te engorda um pouco, mas que você ama. Use aquele delineador
azul que você comprou com a sua mãe naquela loja moderninha no centro da
cidade. Depois que você fizer tudo àquilo que sempre teve vontade, mas que não
fez por conta da opinião alheia, vai se sentir uma nova pessoa. Como se
estivesse presa esse tempo todo e, só agora conheceu a verdadeira vida real.
Experiência própria
Voltando á primeira pergunta do texto, eu não sei nada
sobre a vida. Assim como as pessoas dizem, nossa única certeza é a morte. Mas
eu sei o que eu quero para a minha vida. Sei que eu quero inspirar e emocionar
as pessoas. Sei que quero deixar um pouco de mim em cada pessoa que lê o que eu
escrevo ou que convive comigo. Sei que quero conhecer pessoas, lugares e
culturas diferentes.
Não vou dizer como você deve levar a sua vida, mas não se
esqueça que, todo dia morremos um pouco. Sempre comparei a vida como uma viagem
de avião. E nós somos os passageiros. Uns preferem assistir filmes durante toda
a viagem para fugir um pouco da realidade. Outros preferem dormir e só acordar
quando chegarem no destino final. E tem ainda, aqueles que aproveitam cada
minuto, conversam com o passageiro ao lado, ouvem músicas e veem filmes. A vida
não te rotula. Se você quiser ir por outro caminho, não tem problema, aguente as
consequências, mas não deixe elas te impedirem de viver. E se aquele caminho
também não for o que eu queira? Mude de novo. Mude quantas vezes você quiser.
Dica para você, que vive o futuro: um presente chegou, e ele começa em três,
dois, um JÁ!

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