Já estava acordada quando o despertador tocou. A
ansiedade era tanta que não conseguiu pregar o olho a noite toda. Olhou-se no
espelho, mas nem as terríveis olheiras escuras em baixo dos olhos diminuíram a
felicidade que emanava da garota. O cabelo também não estava dos melhores, mas
nada que um coque em cima da cabeça não resolvesse. Bolsa. Mala. Casaco.
Chaves. Celular. Portaria. Taxi.
- Para o aeroporto internacional de Guarulhos.
Olhando para os prédios da avenida, se lembrou de todas
as pessoas que disseram que ela não realizaria seus sonhos. Desde amigos e
professores até parentes.
- Ana Maria acha que a vida é fácil, que cursar
jornalismo dá dinheiro.
A garota riu sozinha se lembrando do quão difícil foi
chegar ali. Criticas. Vestibulares super concorridos. Provas impossíveis.
Entrevistas de emprego.
A memoria da cara de decepção que sua professora de matemática fez quando a garota disse que iria cursar jornalismo ainda estava
fresca em sua mente.
- Mas você é tão inteligente – era o que todos diziam.
E aí foi percebendo quem eram as pessoas que ela
queria por perto. Se distanciou de
alguns amigos que não mediam esforços em criticar o que ela fazia e deixava de fazer,
aceitou suas diferenças e não deixou que elas fossem obstáculos para os seus
sonhos, valorizou a própria presença, começou a enxergar apenas as suas qualidades
quando se olhava no espelho e apostou todas as suas fichas nos seus sonhos. Um
dia, quando acordou, viu seu sonho ali, bem diante dela, prestes a ser
realizado e a felicidade batendo na porta querendo entrar.
Trocou de guarda roupa, de número de celular, de estilo
musical e de corte de cabelo. Conheceu novas pessoas. Pessoas apaixonantes que
amavam a vida e não desperdiçavam oportunidades. Pessoas que a apoiavam.
- Mergulha de cabeça e vai fundo.
E foi isso que a garota fez. Se jogou o mundo e foi tão
fundo que descobriu maravilhas que a maioria das pessoas não consegue enxergar.
E assim, mudou a forma de ver o mundo e as pessoas.

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